Notas soltas por conta (6)
Camionagens
Como saber coisas sobre um saite
Por vezes interessa, como interessa saber algo sobre um URL. No primeiro caso, de que hoje aqui se trata, visite-se o www.statscrop.com . Mas há mais.
Novo vocabulário nacional
Para quem não goste do Acordo, pode dizer-se que é bem pior que isso. A mensagem é simples e embasbacará muitos cruzadistas: escrever "direitos" com 8 letras, começando por "r" e terminando em "as". Solícitos, alguns senhores democraticamente investidos e troikamente revestidos, saberão logo encontrar a solução na palavra "regalias" e tentar passar essa mensagem ao povo. E o povo que se cuide se vai na esparrela e começa a confundir "direitos" com "regalias". Houve um senhor alemão, aliás poeta,dramaturgo e consciente das coisas deste mundo, de nome Berthold Brecht, que deixou vários avisos pelo caminho. E as técnicas usadas estão, de várias formas denunciadas, nesse e noutros Autores e até na prática dos que, do outro lado, as praticam (passe o pleonasmo): iludir os conceitos, criar inimigos, abafar a memória, semear o medo...antes de usar a chibata. mas há muitas chibatadas sem chibata e sempre com a democracia na boca.
Guiné, Mali e Botswana
Contava-me meu Pai que, quando da Proclamação da República Portuguesa, 5 de Outubro de 1910 para quem nos queira tirar o tal ainda-destranquilizante e anti-produtivo feriado (o 31 de Janeiro já tinha sido!), era primeiro ministro de Espanha (ou Hespanha, como então se escrevia) um tal Merino. E que um jornal espanhol publicara então um cartune significativo em que Afonso XIII se dirigia ao dito Merino, junto de uma porta, e lhe dizia, segundo a legenda: "Cierra bien la puerta, Merino, que el mal del vecino es contagioso!".
Calcutá-Hong Kong
O meu amigo X contou-me esta, que pelos vistos ainda pode funcionar em certos trajectos aéreos. Estando ele em Calcutá, por razões comerciais, e tencionando voar para Hong-Kong numa conceituada companhia aérea europeia (a coisa passa-se no fim do século passado), teve o cuidado de combinar com a recepção do hotel a presença de um taxi seguro para o levar ao aeroporto com chegada por volta das 8 da manhã, para tomar o avião que sairia pelas 10 ou mais-ou-menos isso. Tinha anteriormente, e como era norma da época, confirmado o voo com a antecedência prescrita - já que estivera em Calcutá e arredores quase uma semana - indicando o hotel onde estava e dado o telefone de contacto. Tudo nos conformes.
Preparava-se X para fechar as malas e sair do quarto, eis senão quando o telefone toca. Antes das 7 horas. Atende. Em perfeito inglês, uma voz masculina do outro lado do fio diz ser da transportadora aérea e pergunta-lhe se estava de facto a falar com o Sr. X, que tinha confirmado o voo tal e tal para HK às 10 e tal dessa manhã. X, obviamente, responde que sim. Então a voz masculina, de forma muito clara, diz-lhe que o avião vindo da Europa está com um atraso de pelo menos 2 horas e que, por isso, escusa de estar no aeroporto tão cedo, podendo diferir a sua chegada para 2 horas mais tarde e pedindo desculpa, em nome da companhia, para qualquer inconveniente que tal atraso pudesse causar. X lembrou-se do taxi que marcara, de algumas peças que à chegada vira no aeroporto e que poderia comprar tranquilamente... e decidiu seguir assim mesmo, dentro do programa anterior. Estava a fazer as referidas compras quando, à hora precisa, escuta uma chamada de passageiros para HK, através dos alto-falantes do aeroporto, num voo que lhe pareceu ser o seu. Desaustinado, largou tudo e correu para o quadro de partidas mais próximo e... bem na hora, sem atraso da máquina, era mesmo o dele. Quase sem tempo para as formalidades, que incluíam num aeroporto apinhado e confuso a inspecção de bagagens, a devolução de moeda indiana e a verificação dos passaportes, valeu-lhe no desenrascanço um solícito funcionário das alfândegas indianas que, na placa identificativa, ostentava o mundialmente difundido nome de SILVA e que lhe foi dizendo que o voo estava cheio, mas que - fazendo um rápido bipasse junto dos colegas - lhe permitiu recuperar o tempo e receber o último cartão de voo, antes da chamada da lista de espera. Limpando o suor com quantos lenços tinha, ainda abalado com a surpresa mas feliz com o final feliz, despediu-se do prestável Silva, que com dignidade recusou alguns dólares como recordação, e entrou no aeroplano - onde aliás iriam decorrer filmagens para uma película que nunca chegou a saber qual fosse.
Terminadas as prudências habituais da descolagem e enquanto o apinhado avião se divertia com as filmagens, chamou a "chefa" das assistentes e contou-lhe tintim por tintim o ocorrido, pedindo para formular uma reclamação. A senhora, muito claramente, disse-lhe que tomava conta da reclamação mas que muito provavelmente o assunto nunca se esclareceria. E acrescentou: alguém soube do seu contacto e alguém recebeu dinheiro da parte de alguém que estava na lista de espera, pronto a pagar generosamente a sua presença no voo para HK - acrescentando não ser aliás situação incomum naquelas paragens. Mas qual seria a cara de X se as coisas assim não tivessem corrido, já com poucas rupias no bolso, taxi devolvido e reserva de hotel inexistente, ao saber que, por chegada tardia do viajante, o avião havia partido, deixando-o só, com as malas e algumas compras, em pleno aeroporto de Calcutá e numa espera que poderia ir até às 24 horas!.
Acautelem-se pois quanto a tais armadilhas, até porque não será muito fácil terem a sorte de X e encontrarem um Silva auxiliador por essas bandas! E a solução é simples: chamada de retorno e, se não atenderem, ir mesmo à hora anterior, mas deixando tudo preparado para um eventual regresso (p.ex. se a mensagem fosse verdadeira e envolvesse uma demora considerável, como num caso de cancelamento de voo, sem outras alternativas de saída).
"La patria de Tabucchi"
Não perder a crónica-ponto-de-vista
Editada no Peru, fala de Tabucchi, do poder da literatura e necessariamente de nós. Não perder também o saite. A ele me referirei mais tarde. [##]
Para memória futura = [##]
Como não me sinto vinculado à escapatória da porta das trazeiras para cada afirmação de perspectiva futura que aqui faça, passei a adoptar a sinalefa provisória [##] para marcar (e cumprir) eventuais promessas. A ideia também fica para a quem tal possa convir.
Recuperarei também alguns rascunhos... [##].
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